Campus Party e a contemplação do teto

Há um mês atrás eu estava deixando São Paulo após acampar na Campus Party Brasil durante o evento que felizmente coincidiu com meu período de férias na empresa.

E enfim, atendendo a pedidos — mesmo que com leve atraso — resolvi compartilhar o que raios fui fazer lá.

Vai soar paradoxal para alguns, mas a real é que não fui na Campus Party buscando encontrar com um grupo específico de pessoas, nem aprender uma tecnologia XPTO nas oficinas, nem ampliar networking.

O que eu buscava mesmo era uma espécie de isolamento dos outros contextos de vida, que acabam ocupando tanto espaço a ponto de esmagar pequenos prazeres como zapear por todos os feeds não-lidos, ler todas as mensagens das listas de discussão e poder responder no timing, testar novos e nem-tão-novos serviços web, compartilhar no blog coisas que pareçam úteis aos amigos e colegas, baixar e testar muitos freewares só pra saber o que fazem, programar aquele sisteminha com timelines para organizar as disciplinas e pré-requisitos da faculdade, atualizar as versões de softwares do servidor sem que as coisas parem de funcionar, e muito muito mais.

Essas atividades acabam sem espaço nos dias normais lotados por loops de {emprego} {faculdade} {família} {empresa} {freelas} {homework} {4h.de.sono}, e a cparty foi uma oportunidade de inverter essas prioridades.

Aproveitei o tempo para programar coisas que eu queria ao invés daquelas que queriam que eu fizesse, ler o que me interessava e não o que um professor ou um projeto exigia, assistir cursos de programação de robôs, Ruby on Rails e Google Gadgets apenas porque eram assuntos interessantes e não porque tinha obrigação de aprender para executar algo, e principalmente aproveitei para avaliar alguns caminhos e decisões da minha vida on-line e off-line. Para não perder tempo com atividades menos úteis como dormir, passei praticamente todas as noites em claro juntamente com uma multidão que curtia as madrugadas jogando, baixando e assistindo filmes, agitando campanhas via livestreams, twittando e conversando ao som de muito rock, tecno até algum axé.

Usei e gastei meu tempo como queria, fazendo coisas que o ritmo de vida não permite — e isso inclui ficar parado olhando pro teto pensando na vida!

Vou tentar participar da próxima Campus Party, provavelmente com objetivos diferentes e talvez até um approach menos anti-social :) mas por enquanto tenho que por em prática uma das decisões que emergiram da contemplação do teto: não congelar o Gotas, como estava prestes a fazer. Acredito que o blog vale o esforço extra e pode ser útil ao povo que -mesmo eventualmente- me acompanha na rede e fora dela. Espero acertar o passo e conto sempre com o feedback de todos.

3 comentários até agora Comentar »

  1. moe disse,

    em 17 Mar 2008

    Fez o mais certo, apesar de eu achar que devias ter imergido um pouco mais no quesito social (hehehe)

    Acho que a experiência de encontros assim, sejam eles de geeks ou estudantes de design são sempre muito úteis, pra tudo isso que tu elencou aí. O ciclo de vida às vezes enjoativo precisa desses lapsos de atividades diferentes.

  2. caruschwingel disse,

    em 22 Apr 2008

    Hey, vc esqueceu de dizer que veio à Campus Party tb para ver uma amiga que não encontrava há uns cinco anos, não era? Uma que além de tudo fica te pedindo zilhões de favores :-) Uma que te deve muito neste mundo virtual.
    Uma que foi o fator zero da gripe bacteriológica que se instalou por lá :-)
    Beijo grande.
    Muito bom não congelar as gotas.
    Gotas a gente verte.

  3. Renato disse,

    em 22 Apr 2008

    @moe, tens razão quanto ao quesito social mas a real é que não fiquei só olhando pro teto ;) … por exemplo, na viagem de/para SP via caravana conheci um pessoal muito camarada com várias afinidades e durante toda a semana conheci e conversei (é sério, pô!) com vários habitantes das áreas de modding e software livre onde geralmente eu me instalava.

    Além disso, também aproveitei para pôr o assunto em dia com a amiga @caruschwingel que eu não encontrava pessoalmente há tempos!

    Mesmo tendo voltado de lá torto de gripe (e eu sei de onde ela veio!), curti muito cada momento (fora os quartos de banho improvisados!).

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